quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Analfabetos na sociedade letrada: diferenças culturais e modos de pensamento

Quando nos referimos ao analfabeto na sociedade letrada, isto é, a esse sujeito que vive no mundo urbano, escolarizado, industrializado e burocratizado e que não tem o domínio da palavra escrita, estamos nos referindo, na verdade, a um grupo social extremamente homogêneo. É um grupo composto, em sua maioria, por migrantes de zonas rurais, principalmente região Nordeste do país, trabalhadores em ocupações pouco qualificadas e com uma história descontínua e mal-sucedida de passagem pela escola; seus pais também eram trabalhadores em ocupações braçais não-qualificadas (principalmente lavoura) e com nível instrucional muito baixo (geralmente também analfabetos). A caracterização desse grupo cultural repete-se nas várias situações escolares e de pesquisa que lidam com esse personagem que designamos genericamente como "analfabeto" : ele tem um lugar social específico, que vai combinar-se com a sua incapacidade de utilizar o sistema simbólico da escrita.
Se quanto a suas características socioculturais sabemos claramente o que é o analfabeto, quanto ao domínio do sistema de escrita, parece que não estamos lidando com um grupo formado por indivíduos muito semelhantes entre si. Os adultos que chamamos de analfabetos, imersos no mundo letrado, vão sendo contaminados pelas informações desse mundo e acumulam conhecimentos sobre suas regras de funcionamento e sobre o próprio sistema de escrita.
Numa sociedade tão saturada de escrita como a grande cidade contemporânea, raramente encontramos pessoas completamente analfabetas. Obviamente que, como consumidor da palavra escrita, o analfabeto está em desvantagem em relação àqueles indivíduos que, tendo passado por um processo regular de escolarização, dominam a lógica do mundo letrado. Mas ele sabe coisas sobre esse mundo, tem consciência de que domina completamente o sistema de leitura e escrita e está, ativamente, buscando estratégias pessoais para lidar com os desafios que enfrenta nas esferas da vida que exigem competências letradas. Freqüentemente esses indivíduos sabem escrever o próprio nome, muitas vezes reconhecem ou sabem escrever algumas letras, conhecem o formato de algumas palavras, conhecem os números. Alguns conhecem letra de forma, mas não letra cursiva, outros têm dificuldades de saber onde "termina uma palavra e começa outra", outros, ainda, conhecem as letras, mas não sabem "juntá-las". O rótulo "analfabeto" não identifica, pois, um estágio de alfabetização bem definido. Poderíamos trabalhar, na verdade, com a idéia de "graus de analfabetismo": exposto de uma forma particular aos estímulos do mundo letrado, submetido ou não a algum tipo de treino escolar ou instrução por parte de pessoas mais escolarizadas, usando sua capacidade de reflexão sobre o contexto em que vive e sobre seu próprio conhecimento, cada indivíduo constitui uma combinação específica de capacidades, não havendo a formação de um grupo homogêneo quanto ao domínio do sistema de leitura e escrita.
A consideração do lugar social do analfabeto, juntamente com a idéia dos diferentes graus de analfabetismo, coloca a questão do analfabetismo no mundo letrado menos como um problema que diz respeito às relações entre culturas e modos de pensamento. Isto é, o analfabeto não é qualquer indivíduo tecnicamente definível como prIvado da capacidade de leitura e escrita e, portanto, necessitado de uma ação alfabetizadora que simplesmente lhe permita o acesso ao sistema simbólico da escrita. Ao contrário, a questão central parece ser o enfrentamento de um grupo cultural de origem iletrada (e rural, tradicional, sem qualificação profissional) com o modo de pensar dominante na sociedade letrada e urbana, escolarizada, industrializada, marcada pelo conhecimento científico e tecnológico).
Diferenças culturais e modos de pensamento
A relação entre cultura e pensamento tem sido de investigação e reflexão por parte de psicólogos, educadores, antropólogos e outros cientistas sociais. As diferenças observadas entre grupos culturais diversos no seu desempenho em vários tipos de atividades têm motivado o interesse sobre questões correlatas, tais como: o modo de funcionamento psicológico do ser humano é universal? qual a importância do meio sociocultural em que o indivíduo vive para a definição de suas capacidades? A ação educativa pode transformar as possibilidades de desempenho das pessoas?
Duas tendências opostas têm marcado as reflexões sobre essas questões. De um lado temos linhas de pesquisa que procuram identificar um percurso universal para o desenvolvimento psicológico do ser humano, definindo quais são as formas mais e menos sofisticadas de pensamento. Certos grupos humanos teriam, assim, um modo de funcionamento psicológico mais avançado, enquanto outros permaneceriam em estágios mais "primitivos". Um resultado típico desse tipo de pesquisa aponta para a existência de "raciocínio abstrato" em certos grupos culturais e a ausência dessa capacidade em grupos menos sofisticados, presos à realidade concreta. Em termos educacionais, os grupos culturais com um modo de pensamento menos avançado teriam de ser submetidos a algum tipo de educação compensatória para remediar suas deficiências e possibilitar seu acesso às formas mais sofisticadas de funcionamento intelectual. Se na sociedade humana como um todo o modo de pensamento menos avançado é identificado nos grupos chamados " primitivos" (sociedades tribais, grupos iletrados), na sociedade urbana contemporânea os grupos culturais que exibem um funcionamento psicológico considerado menos complexo são, justamente, aqueles de origem rural, sem escolaridade e com nível socioeconômico mais baixo.
A linha de pesquisa que se opõe a essa tendência se baseia na idéia de que os indivíduos e grupos humanos funcionam psicologicamente em resposta às demandas do contexto em que vivem. Isto é, não haveria um percurso universal para o desenvolvimento humano, mas, ao contrário, os modos de pensamento e a atividade psicológica em geral seriam definidos na relação do ser humano com as situações reais que enfrenta em sua vida concreta. Nessa perspectiva não haveria sentido uma comparação entre grupos "avançados" e "primitivos", pois todo desempenho humano é equivalente e de igual valor. Os conteúdos culturais podem ser diferentes, mas não há modos de funcionamento mais e menos sofisticados.
A conseqüência dessa segunda tendência de pesquisa para a educação é a de que devemos trabalhar com a realidade do aluno e que todo tipo de conteúdo cultural e de modo de pensamento deve ser respeitado e incorporado ao trabalho pedagógico realizado na escola. Os grupos sociais que têm sido tradicionalmente alijados da escola também são produtores de conhecimento, e não caberia à escola impor seu próprio modo de funcionamento psicológico: o que cada indivíduo traz consigo é equivalente, em termos de valor, sofisticação e complexidade, ao que a escola tem a oferecer.
A contraposição entre essas duas formas de pensar as relações entre cultura e pensamento traz à tona alguns temas específicos extremamente relevantes para a discussão da questão da inserção do analfabeto no mundo letrado, os quais serão delineados a seguir.
Analfabetos e iletrados
O grupo cultural constituído pelos chamados analfabetos que vivem inseridos na sociedade industrial contemporânea tem, como discutimos anteriormente, um lugar social bem definido e a característica de não dominar completamente o sistema simbólico da escrita. A identidade de um membro desse grupo constrói-se, em grande parte, por uma negação: ele é não- alfabetizado, não domina o sistema da escrita, não tem acesso a certos modos de funcionamento claramente presentes na sociedade em que vive. Sua situação é muito diferente da situação em que vive numa sociedade sem escrita, relativamente isolada do mundo letrado (um grupo tribal, por exemplo). Um membro de uma sociedade sem escrita vive como os demais de seu grupo social e se insere numa cultura em que a ausência de escrita não é uma lacuna, mas é parte integrante do modo de funcionamento predominante nessa cultura. Ser iletrado é uma característica que explica a pertinência do indivíduo a um grupo cultural sem escrita; ser analfabeto na sociedade letrada, por outro lado, é uma característica que indica a ausência, no nível individual, de uma competência presente e valorizada nessa sociedade.
As outras características desse grupo cultural tão homogêneo (posição subalterna na sociedade, baixa qualificação profissional, origem rural, falta de escolaridade) explicam a falta de oportunidade de acesso ao domínio da capacidade de leitura e escrita, e ao mesmo tempo, combinam-se com o não-domínio da escrita para definir a situação do analfabeto como a de um indivíduo com lacunas na sua constituição como membro de uma cultura letrada.
A questão das relações entre cultura e pensamento ganha, nesse caso, uma dimensão específica: não comparando sociedades científicas e não-científicas, sistemas astronômicos de grupos indígenas com a astronomia construída pela ciência contemporânea, formas de classificar plantas para uso religioso com a classificação da Botânica. Estamos, isto sim, comparando subgrupos de uma mesma cultura abrangente, que vivem integrados na vida urbana, industrial, burocratizada, com forte presença dos meios de comunicação de massa, e têm condições diversas de interação com esse material cultural. O pensamento de um indígena que classifica a baleia como peixe, porque na sua cultura não existe a informação de que a baleia é um mamífero, e o pensamento de um analfabeto que diz que "estamos no ano 15", porque é o 15º aniversário de uma rede de televisão, têm conseqüências diferentes para a discussão das relações entre cultura e pensamento. O indígena está falando a linguagem de sua cultura; o analfabeto está interpretando mal um dado por falta de instrumental para lidar com uma informação de sua própria cultura.
O papel da escola
Nas várias pesquisas que buscam equacionar as relações entre cultura e pensamento, a escolaridade aparece como uma variável fundamental na definição das diferenças culturais, isto é, independentemente do tipo de interpretação oferecida pelos pesquisadores, sujeitos mais escolarizados tendem a ter um desempenho intelectual qualitativamente diferente daquele de sujeitos pouco escolarizados. Na verdade, é quase natural pensarmos a escola como instituição privilegiada no processo de construção do modo de funcionamento intelectual dos membros da sociedade letrada: a escola é a agência social explicitamente destinada a transmitir, sistematicamente, os conhecimentos e as formas de pensamentos considerados necessários e adequados no interior dessa sociedade marcada pelo desenvolvimento científico e tecnológico.
Qualquer que seja a escola concreta de que tratemos - pública ou privada, "tradicional" ou "moderna", de melhor ou pior qualidade -, ela tem uma característica inerente à própria natureza da instituição: o conhecimento é o objetivo privilegiado de sua ação. A escola é o lugar onde trabalhamos com o conhecimento em si mesmo, independentemente de suas ligações com a vida imediata, isto é, na escola o indivíduo aprende a se relacionar com o conhecimento descontextualizado, a tomar a própria organização do saber (basicamente construído pelas várias disciplinas científicas) como objeto de sua reflexão. Esse procedimento de pensar sobre o próprio conhecimento, que em Psicologia chamamos de metacognição, é talvez o resultado mais fundamental do processo de escolarização. O indivíduo que passa pela escola é submetido, deliberadamente, à prática de trabalhar com o conhecimento como objeto; essa prática provavelmente o instrumentaliza para o modo de funcionamento intelectual típico da sociedade letrada.
Assim, se há diferenças no modo de pensamento de membros de diferentes grupos culturais, dentro da sociedade industrial contemporânea, isso não se deve a "deficiências" na constituição do intelecto dos indivíduos de alguns desses grupos, mas não se deve, tampouco, apenas ao enfrentamento das demandas da vida concreta, ou seja, é importante que se considere a construção das possibilidades de desempenho intelectual dos indivíduos, mesmo quando essas possibilidades não estejam claramente presentes nos limites das tarefas regulares de sua vida cotidiana. Talvez a escola seja protótipo da instituição social que, no âmbito da sociedade letrada, ensina o homem a transcender seu contexto e a transitar pelas dimensões do espaço, do tempo e das operações com o próprio conhecimento.

O ANALFABETISMO FUNCIONAL

Por Paulo Botelho
O Analfabetismo Funcional constitui um problema silencioso e perverso que afeta as empresas. Não se trata de pessoas que nunca foram à escola. Elas sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, mas não conseguem compreender a palavra escrita. Bons livros, artigos e crônicas, nem pensar! Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. Elas preferem ouvir explicações da boca de colegas. Entretanto, diante do chefe - isso quando ele é mesmo um chefe - fingem entender tudo, para depois sair perguntando aos outros o que e como deve ser realizado tal serviço. E quase sempre agem por tentativa e erro. O meu caro leitor deve estar imaginando que esse problema afeta apenas uma parcela mínima da população. Não é verdade. Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. No mundo todo há entre 800 e 900 milhões deles. São pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar, também, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas! Elas não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco da vida sócio-cultural.
A queda da produtividade provocada pela deficiência em habilidades básicas resulta em perdas e danos da ordem de US$ 6 bilhões por ano no mundo inteiro. Por que? Porque são pessoas que não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de higiene e segurança do trabalho, orientações sobre processo produtivo, procedimentos de normas técnicas da qualidade de serviços e negligência dos valores da organização empresarial. Eis aí o "Calcanhar de Aquiles" de tantas organizações: Declaração e Prática de Valores. E o que são esses Valores? São crenças e princípios que orientam as atividades e operações de uma empresa, independente de seu porte ou ramo de atividade. Seus dirigentes devem mostrar, na prática, que os sistemas, procedimentos e atitudes comportamentais são respeitados e coerentes com os valores estabelecidos em função de seus clientes e da ética dos negócios. Se não for assim, os resultados serão desastrosos. Quem não se lembra de manchetes de jornais mencionando "problemas inesperados" que abalaram a imagem de tantas empresas? Um defeito no chip Pentium da Intel levou-a a substituir o produto no mercado. Um número desconhecido de cápsulas de Tylenol contaminado com cianureto mata oito pessoas nos Estados Unidos; a Johnson & Johnson retira todos os frascos do mercado americano e tem um prejuízo de US$ 100 milhões!  Alguém tem dúvida de que tais exemplos, entre tantos, não sejam efeitos da ignorância?
Para que o analfabetismo funcional se erradique só existe uma saída: educar e treinar para a qualidade. E qualidade não tem custo; é investimento. O custo da qualidade é a despesa do trabalho errado, mal feito, incompleto, sem profissionalismo. É o custo do analfabetismo funcional!
Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Consultor de Empresas para Programas de Engenharia da Qualidade, Antropologia Empresarial e Gestão Ambiental. Membro da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Músicas que dão aula.


Tema: Recursos naturais; ciclo da água.
Música: Planeta Água
Autor: Guilherme Arantes

Tema: O Planeta Terra
Música: Terra
Autor: Caetano Veloso

Tema: Extrativismo animal - a pesca
Música: Minha Jangada
Autor: Dorival Caymi

Volta à escola é chance de nova vida para adultos

 
Mas para quem tem mais de 40 anos, a oportunidade de voltar para a escola pode significar a chance de uma vida diferente. É uma chance de aumento da sua renda mensal além de outros benefícios pessoais. É um desafio a cada dia, uma construção, e tem que ter muita criatividade, para que eles não se cansem, nem desistam. Enquanto educadores, estejamos não só preparados, mas que sejamos portas e janelas abertas na vida destas pessoas que tiveram tantas portas e janelas fechadas na vida. Retomar os estudos é um passo importante e nós precisamos saber acolhe-los.

O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais

 
O Brasil ainda tem 14,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, segundo os dados mais recentes da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). O estudo foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (18) e tem informações referentes ao ano de 2008.
Segundo a Pnad, um em dez brasileiros com 15 anos ou mais não consegue ler ou escrever um bilhete simples. Esse é o conceito de "analfabeto" para o IBGE. A taxa de analfabetismo divulgada neste ano na Pnad é de 10%, dado semelhante ao ano passado, quando a taxa ficou em 10,1%.


Mais de 25 anosDos 14,2 milhões de analfabetos, 95% têm 25 anos ou mais. É um contingente de 13,5 milhões de brasileiros.

O Nordeste concentra mais da metade do total de analfabetos com mais de 15 anos, com 7,5 milhões. Nesses Estados a taxa de analfabetismo alcança 19,4% - ou seja, quase um em cinco habitantes da região não sabe ler nem escrever. A taxa do Norte é a segunda maior do país, com 10,7%. Por ser a região mais populosa, o Sudeste fica em segundo lugar no ranking em números absolutos, com 3,6 milhões de analfabetos. O Sul continua com a menor taxa de analfabetos (5,5%), mas, ainda assim, acumula 1,1 milhão de analfabetos. O Centro Oeste, por sua vez, tem a menor quantidade de analfabetos, com 839 mil e taxa de 8,2%.

Analfabetismo funcionalO número de analfabetos funcionais continua alarmante: apesar da queda de 0,8% em relação à última taxa divulgada, em 2007, o Brasil ainda concentra 21% de pessoas com mais de 15 anos e com menos de 4 anos de estudo completos. Esse percentual representa, segundo os dados divulgados hoje, 30 milhões.

O analfabeto funcional sabe ler, mas não consegue consegue participar de todas as atividades em que a alfabetização é necessária para o funcionamento efetivo de sua comunidade. Ele não é capaz de usar a leitura, a escrita e o cálculo para levar adiante seu desenvolvimento, segundo a Unesco.

Há mais homens entre os analfabetos funcionais: a taxa é de 10,2%. No grupo das mulheres, o percentual é de 9,8%. Todas as regiões registraram queda na taxa e o Nordeste continua sendo a que tem mais pessoas nessa condição, com 31,6% da população. A segunda maior taxa está no Norte, com 24,2%, seguida pelo Centro-Oeste, com 19,2% e pelo Sul (16.2%). A região Sudeste é a que tem menor concentração de analfabetos funcionais: a taxa é de 15,8%.

Liga Brasileira contra o analfabetismo ( 1915). O que há de novo??

Em 21 de abril de 1915, fundou-se na cidade do Rio de Janeiro uma instituição denominada Liga Brasileira Contra o Analfabetismo, que reuniria homens de letras, médicos, advogados, militares e diversos outros setores da sociedade com o propósito de atuar junto aos poderes públicos federais,estaduais e municipais e, sobretudo, junto à população, para que se pudesse comemorar o centenário da Independência em 07 de setembro de 1922 declarando o Brasil livre do analfabetismo. Para isto, iniciou uma ampla propaganda de combate ao analfabetismo, chamando a população a atuar em cursos noturnos e exigindo dos governos a obrigatoriedade do ensino primário.
De 1915 a 1922 foram fundadas seções da Liga Contra o Analfabetismo em 20 estados brasileiros.
Entretanto, a Liga fundada durante a Primeira República chegara à data do centenário sem ter alcançado sua meta. Embora a mobilização pelo combate ao analfabetismo empreendida pelo movimento fosse considerável e intensa, muito ainda tinha que ser feito para melhorar a educação no país, e o mesmo ainda continuava com um número alarmante de analfabetos.
Sendo a educação ainda um tema fundamental para se pensar nos rumos do Brasil. Na metade do século XIX que os processos de escolarização passarama ser alvo de preocupações.
O movimento " Todos pela educação", iniciado em 2007 e que recentemente vem ganhando espaço na mídia. O movimento identifica-se como um projeto de Nação que conta com a participação de representantes da sociedade civil, da iniciativa privada, organizações sociais, educadores e gestores públicos de Educação para atingir o seguinte objetivo: garantir educação básica de qualidade para todos os brasileiros até 2022, bicentenário da Independência do país.
Concluindo:
Pode ser observado a grande semelhança com os objetivos da Liga Brasileira Contra o Analfabetismo.
A Educação de Jovens e Adultos nasceu no cenário da sociedade civil, das “lacunas” do Sistema Educacional Brasileiro. As principais características das ações governamentais em Educação de Jovens e Adultos foram de políticas assistencialistas, populistas e compensatórias.
No histórico da Educação de Jovens Adultos no Brasil estão os jesuítas, que no Brasil colônia, fomentam a catequização das nações indígenas. Já no Brasil Império (1876), os primeiros apontamentos do Ensino Noturno para Adultos foram denominados educação ou instrução popular. Com a Lei Saraiva (1882), houve a proibição do voto do analfabeto. A escolarização, na época, é vinculada à ascensão social e o analfabetismo à incapacidade e inabilidade social. O Entusiasmo pela Educação e Otimismo Pedagógico geraram dois movimentos ideológicos da elite brasileira. A Educação passou a ter presença como redentora dos problemas da Nação. Surgiu nos anos de transição do Império - República (1887-1897). Houve a expansão da rede escolar, e as “ligas contra o analfabetismo” anos 1910, visavam a imediata supressão do analfabetismo, por interesse no voto do analfabeto. O Otimismo Pedagógico surgiu nos anos 1920, e culminou a partir de 1930, com o Movimento Escola Nova. O Caráter Qualitativo e Otimização do Ensino tiveram como palco as melhorias das condições didáticas e pedagógicas da rede escolar.

Nos anos 20, foram iniciadas mobilizações em torno da educação como dever do Estado, sendo um período de intensos debates políticos, culturais, e da questão da identidade nacional e definição de nação. Nos anos 40, a educação passa a ser uma questão de segurança nacional, pois o atraso do país é relacionado à falta de instrução de seu povo. Em 1942, temos a criação do SENAI vinculando a Educação de Adultos à Educação Profissional.Em 1947aconteceu o I Congresso Nacional de Educação de Adultos, com o slogan: “ ser brasileiro é ser alfabetizado”. Em 1949- I Conferência Internacional sobre Educação de Adultos (Dinamarca) tendo como linha central a educação de adultos para “ o respeito aos direitos humanos e para a construção de uma paz duradoura, que seria uma educação continuada, mesmo depois da escola.” (Gadotti, 2001)
De 1958 até 1961, houve a Campanha Nacional do Analfabetismo (CNEA), e em 1958, aconteceu o II Congresso Nacional de Educação de Adultos, onde Paulo Freire foi a maior expressão do cenário progressista da educação neste acontecimento. De 1961 a 1963, foi caracterizado o período de fervor político e cultural pelo ambiente de reformas de base preconizadas pelo governo e pela organização e mobilização popular na vida política nacional. No ano de 1966, o governo cria o Plano Complementar ao Plano Nacional de Educação e a Comissão Nacional de Alfabetização e Educação Assistemática (CNAED), com objetivo central de auxiliar financeiramente as ações na Educação de Jovens e Adultos e de fazer o controle ideológico. No ano 1967, houve a criação do MOBRAL (movimento brasileiro de alfabetização), arquitetado como norma de controle da população. Nos anos 70, a Educação de Jovens e Adultos é caracterizada como suplência da educação formal, tendo por objetivo a oportunidade de acesso de jovens e adultos ao sistema formal de educação.
Com a LDB 9394/96, a nomenclatura Ensino Supletivo passa para EJA.Com o Parecer CEB/CNE 11/2000 que baseou a Resolução do CNE de Diretrizes Curriculares para a EJA, são enfatizadas as mudanças da nomenclatura de ensino supletivo para EJA, o direito público subjetivo dos cidadãos à educação, as funções: reparadora; equalizadora e qualificadora, assim como distingue a EJA da aceleração de estudos, concebe a necessidade de contextualização do currículo e dos procedimentos pedagógicos e aconselha a formação específica dos educadores.
Fonte pesquisada:PAIVA, V. P.Educação popular e educação de adultos.


A homofobia (homo= igual, fobia=do Grego φόβος "medo"), é um termo utilizado para identificar o ódio, a aversão ou a discriminação de uma pessoa contra homossexuais e, consequentemente, contra a homossexualidade, e que pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação contra homossexuais.
Homofobia é a prova do quanto o ser humano pode ser irracional e sem noção de respeito ao próximo, seja ele quem for. É preciso fazer valer os direitos humanos e que reais providências sejam tomadas, extirpando os incentivos à homofobia através da sua criminalização e  acabando com todas as formas de preconceito, mesmo que velado!

Identidade Negra x Identidade de Gênero feminino

Por Dalila Pereira de Sousa
Ao confontar os dois temas em questão podemos encontrar vários pontos de convergência tratando-se da questão social, da luta incessante dos indivíduos em busca de uma colocação e aceitação como parte de uma determinada organização dentro da sociedade.
Vamos relacionar e discutir os seguintes trabalhos: A tese de doutorado da Dr. Nilma Lino Gomes que tem como título: Cabelo,Corpo como ícones de construção da Beleza e da identidade negra nos Salões Étnicos de Belo horizonte e o trabalho da Mestre em psicologia Betânia Gonçalves em sua dissertação que tem como título: Transformações da identidade de Gênero entre Mulheres, no século xx em Minas Gerais. Os métodos utilizados nos dois trabalhos foram muito parecidos como, por exemplo, a utilização de entrevistas semi-estruturadas para os estudos de casos e a existência de um diário de campo com as anotações eventuais. A escolha dos indivíduos nas duas pesquisas levou em conta certas condições como a estrutura sócio- econômica, escolaridade e posturas perante a sociedade. A trajetória dos indivíduos foi acompanhada bem de perto, buscando o conhecimento da história de vida de cada um com suas particularidades, seus conflitos, angústias e experiências.
Um dos principais objetivos da tese da Dr.Nilma é mostrar como o negro constrói sua identidade a partir da visão do outro, da sociedade. Vem demonstrar como a sociedade da significado negativo ao cabelo crespo e a cor negra. Os processos de reissignificação que o negro precisa passar para se aceitar não como um sujeito inferior, mas como um indivíduo com uma beleza e com valores diferentes dos padrões brancos europeus, tomados como base pela sociedade brasileira. Mostra todos os traumas e pressões que os negros sejam homens ou mulheres sofrem deste a infância e como os valores, erroneamente são passados de geração em geração.
O estudo de casos nos revela os dramas vividos por crianças quando a mãe negra, não aceita a aparência da própria filha tentando modificar a estética e a textura do cabelo para que a mesma fosse aceita pela comunidade e não sofresse discriminações por parte dos coleguinhas de escola. Sensações de rejeição e de inferioridade que são levados para a vida toda. Mostrando como a influência familiar é importante, como ela introjeta no sujeito valores de comportamento e de posicionamento na sociedade. Moldando o indivíduo para ocupar um determinado lugar social de acordo com sua raça ou melhor de acordo com que a sua aparência lhe permitir. Além dos conflitos de rejeição e aceitação do próprio corpo e cabelo não podemos atribuir para essas mulheres e homens uma culpa pela atual situação. Porque não foi uma construção criada por estes sujeitos um dos problemas é justamente não ter um referencial positivo sobre o padrão estético na sua infância e no seu círculo familiar e o resultado destas condições, é uma baixa auto-estima. Em quanto negros a única alternativa aparente parece ser passar por um “embranquecimento” isto é negar sua beleza enquanto negro e procurar se enquadrar nos padrões de beleza dos brancos que são os modelos aderidos pela sociedade, tidos como politicamente corretos e bonitos.
A tese transformações da identidade de gênero entre mulheres vêm mostrar como os valores são passados e modificados de geração em geração e como estes valores sofrem mudanças influenciadas muitas vezes pelo contexto sócio-histórico-cultural. A pesquisa se desenvolveu na tentativa de compreender as continuidades e descontinuidades na construção da identidade de mulheres dentro de 3 (três) gerações de uma mesma família. Mostra como essas mulheres reagiram diante do olhar da sociedade que sempre vem a nortear nossos passos, fazendo com que nossas ações sejam enquadradas em uma postura esperada pela sociedade. Na pesquisa a autora Betânia relata as principais mudanças que ocorreram também de acordo com as condições sócio econômicas e o nível de escolaridade mais elevado. Na classe de mulheres de baixa escolaridade e de poder aquisitivo baixo quase não se observam mudanças, a mobilidade social é muito pequena ocorre em casos isolados. É importante observar nesta dissertação também como o processo de emancipação das mulheres veio se desenvolvendo ao longo das gerações, como cada uma das gerações se vê perante a sociedade e o modo que presta contas com esta.
Concluindo, nos dois trabalhos a sociedade o papel social que o sujeito ocupa, pode vir a fazer a diferença, tanto positivamente como negativamente. Mostra que o individuo deve ser visto não apenas como um sujeito isolado no mundo, mas sim como um somatório de intervenções e de fatos ocorridos ao longo de sua história de vida. Sua subjetividade é marcada pelas suas ações, pelos caminhos tomados e principalmente pelo “olhar do outro”, porque é desta forma que o sujeito se constitui.

O uso dos recursos para a melhoria do indivíduo, diminuindo as distâncias, limitando assim a desigualdade existente. Essas contribuições são utilizadas para diminuir a desigualdade social, encurtando os laços .
" Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho, sem aprender a refazer, a retocar o sonho por causa do qual a gente se pôs a caminhar" Paulo Freire.



"Talvez escutando as coisas, os sonhos que as precedem, os delicados mecanismos que as animam, as utopias que elas trazem atrás de si, possamos aproximar-nos ao mesmo tempo dos seres que as produzem, usam e trocam tecendo assim o coletivo misto, impuro, sujeito-objeto que forma o meio e a condição de possibilidade de toda comunicação e todo pensamento.

Métodos e Práticas Educativas

“Que a educação seja o processo através do qual o indivíduo
toma a história em suas próprias mãos, a fim de mudar o rumo da mesma.
Como? Acreditando no educando,
na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar,
enfrentar, propor, escolher e assumir as conseqüências de sua escolha.
Mas isso não será possível se continuarmos bitolando os alfabetizandos
com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros
para copiarem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam,
com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende.”

(FUCK, 1994, p. 14 - 15)

Há décadas, buscam-se métodos e práticas educativas adequadas à realidade cultural e ao nível de subjetividade dos jovens e adultos.
    Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, constam no Título V, Capítulo II, Seção V, dois Artigos relacionados, especificamente, à Educação de Jovens e Adultos
Art. 37 - A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si.

Art. 38 - Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I. no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos;
II. no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.

No Plano Nacional de Educação, temos como um dos objetivos e prioridades: Garantia de ensino fundamental a todos os que não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. A erradicação do analfabetismo faz parte dessa prioridade, considerando-se a alfabetização de jovens e adultos como ponto de partida e intrínseca desse nível de ensino. A alfabetização dessa população é entendida no sentido amplo de domínio dos instrumentos básico da cultura letrada, das operações matemáticas elementares, da evolução histórica da sociedade humana, da diversidade do espaço físico e político mundial da constituição brasileira. Envolve, ainda, a formação do cidadão responsável e consciente de seus direitos.
Apesar de todas essas propostas e segundo Freire (apud Gadotti, 1979, p. 72), a UNESCO nos mostra, através de dados, que o número de analfabetos no mundo tem aumentado e o Brasil engrossa cada vez mais essas estatísticas.
      Esse fracasso, de acordo com Freire (apud Gadotti, 1979, p. 72), pode ser explicado por vários problemas, tais como: a concepção pedagógica e os problemas metodológicos, entre outros.
      A Educação de Jovens e Adultos deve ser sempre uma educação multicultural, uma educação que desenvolva o conhecimento e a integração na diversidade cultural, como afirma Gadotti (1979), uma educação para a compreensão mútua, contra a exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras formas de discriminação e, para isso, o educador deve conhecer bem o próprio meio do educando, pois somente conhecendo a realidade desses jovens e adultos é que haverá uma educação de qualidade.
      Considerando a própria realidade dos educandos, o educador conseguirá promover a motivação necessária à aprendizagem, despertando neles interesses e entusiasmos, abrindo-lhes um maior campo para o atingimento do conhecimento. O jovem e o adulto querem ver a aplicação imediata do que estão aprendendo e, ao mesmo tempo, precisam ser estimulados para resgatarem a sua auto-estima, pois sua "ignorância" lhes trará ansiedade, angústia e "complexo de inferioridade". Esses jovens e adultos são tão capazes como uma criança, exigindo somente mais técnica e metodologia eficientes para esse tipo de modalidade.